L. S. Vygotsky: algumas idéias sobre desenvolvimento e jogo infantil
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Zilma de Moraes Ramos de Oliveira
Você já parou para pensar na importância do jogo infantil para o desenvolvimento da criança na faixa etária de 0 a 6 anos? A primeira parte deste texto apresenta importantes argumentos da teoria de Vygotsky a respeito do desenvolvimento cognitivo.
Na segunda parte, a autora apresenta conceitos desse mesmo psicólogo que ajudam a refletir sobre a importância da brincadeira para o desenvolvimento infantil.
Segundo Vygotsky, no processo de desenvolvimento, a criança começa usando as mesmas formas de comportamento que outras pessoas inicialmente usaram em relação a ela. Isto ocorre porque, desde os primeiros dias de vida, as atividades da criança adquirem um significado próprio num sistema de comportamento social, refratadas através de seu ambiente humano, que a auxilia a atender seus objetivos. Isto vai envolver comunicação, ou seja, fala."
"Vygotsky cria um conceito para explicitar o valor da experiência social no desenvolvimento cognitivo. Segundo ele, há uma ‘zona de desenvolvimento proximal’, que se refere à distância entre o nível de desenvolvimento atual – determinado através da solução de problemas pela criança, sem ajuda de alguém mais experiente – e o nível potencial de desenvolvimento – medido através da solução de problemas sob a orientação de adultos ou em colaboração com crianças mais experientes."
"A brincadeira fornece, pois, ampla estrutura básica para mudanças da necessidade e da consciência, criando um novo tipo de atitude em relação ao real. Nela aparecem a ação na esfera imaginativa numa situação de faz-de-conta, a criação das intenções voluntárias e a formação dos planos da vida real e das motivações volitivas, constituindo-se, assim, no mais alto nível de desenvolvimento pré-escolar."
Publicação: Série Idéias n.2. São Paulo:FDE, 1994.
A utilização do jogo na pré-escola
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Elvira Cristina de Azevedo Souza Lima
A brincadeira faz parte da vida da criança, seja na escola ou fora dela. Esta atividade é tanto fonte de lazer como de conhecimento.
Contudo, brincar na escola é diferente de brincar em casa, na rua ou em outros lugares. Nesse texto, a autora baseia-se na teoria de Vygotsky para discutir a questão da brincadeira na escola, diferenciando o brincar em outros ambientes. Você encontrará elementos importantes para pensar a brincadeira como parte integrante da atividade educativa, explorando sua importância, seus limites e a ação do educador na programação das atividades pedagógicas.
Brincar é fonte de lazer, mas é, simultaneamente, fonte de conhecimento; é esta dupla natureza que nos leva a considerar o brincar parte integrante da atividade educativa."
"Brincar na Escola não é exatamente igual a brincar em outras ocasiões, porque a vida escolar é regida por algumas normas que regulam as ações das pessoas e as interações entre elas e, naturalmente, estas normas estão presentes, também, na atividade da criança. Assim, as brincadeiras e os jogos têm uma especificidade quando ocorrem na Escola, pois são mediadas pelas normas institucionais."
"Incluir o jogo e a brincadeira na Escola tem como pressuposto, então, o duplo aspecto de servir ao desenvolvimento da criança, enquanto indivíduo, e à construção do conhecimento, processos estes intimamente interligados."
Publicação: Série Idéias n. 10. São Paulo: FDE, 1992.
Páginas: 24 a 29
A expressão musical para crianças de pré-escola
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Leda Maria Giuffrida Silva
Você já observou que, na maioria das escolas infantis, a expressão musical é utilizada apenas nas atividades recreativas ou nas festas comemorativas? Para mudar esse quadro, a autora fundamenta a educação musical na pré-escola a partir de uma perspectiva construtivista e sugere formas de trabalhar o repertório e os diferentes estilos musicais com as classes de educação infantil.
O texto traz uma experiência realizada em uma pré-escola da rede pública.
"A música deve ser considerada uma verdadeira 'linguagem de expressão', parte integrante da formação global da criança. Deverá ela estar colaborando no desenvolvimento dos processos de aquisição do conhecimento, sensibilidade, criatividade, sociabilidade e gosto artístico. Caso contrário, perder-se-á na forma de simples atividade mecânica, com a mera reprodução de cantos, sem a interação da criança com o verdadeiro momento de criação musical."
"Sendo a Escola a instituição responsável pela formação cultural da criança, cabe a ela também proporcionar esse conhecimento, não só da música popular como também das músicas folclórica, clássica e erudita."
"A criança de Pré-Escola ainda não tem capacidade de concentrar-se para ouvir música - isto é inerente a sua faixa etária. É aconselhável, então, que a música lhe seja apresentada por meio de estórias, dramatizações, jogos e brincadeiras, que motivem a participação."
Publicação: Série Idéias n. 10. São Paulo: FDE, 1992.
Páginas: 88 a 96
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